Home » boatos » A farsa das sentenças inusitadas do Juiz Sergio Moro

A farsa das sentenças inusitadas do Juiz Sergio Moro

Boato e Farsa – A Farsa das sentenças inusitadas de Sérgio Moro – Circula na internet um boato dizendo que antes de Sergio Moro ser o juiz famoso a julgar o caso da Lava-jato, ele era promotor no interior do Paraná e aplicava penas inusitadas, as chamadas justiças criativas.

Dentre as tais sentenças inusitadas, das 8 listadas no texto boateiro, o texto dá como destaque um suposto julgamento do caso de uma mulher que abandonou 5 gatos em uma noite fria e teve como sentença do juiz Moro, passar uma noite inteira em meados de julho procurando animais abandonados para proteger e ligando para serviços de proteção animal.

Publicidade:

O texto, compartilhado mais de 23 mil vezes somente no Blog farsante Sociedade Oculta, ainda tem a pachorra de dizer que Moro mandava escolher entre a prisão ou o seu método de punição. Leia abaixo as sentenças inusitadas atribuídas ao Sergio Moro e descubra o que importa: a verdade!

sentenças inusitadas do Juiz Sergio Moro

Falsas sentenças inusitadas de Sergio Moro:

1 – Mulher pega abandonando gatos – sentença: Passar a noite recolhendo animais abandonados no parque
2 – Casal pego fazendo sexo em parque público – Sentença: Limpar o parque inteiro recolhendo todos os preservativos que encontrassem e ainda pedir desculpas públicas em nota de jornal.
3 – Homem insultou policiais chamando de porcos – Sentença: Ficar ao lado de um porco de 170kg segurando um cartaz com os dizeres “Esse não é um policial”.
4 – Autoridades encontram motorista dirigindo embriagado – Sentença: Ser levado ao necrotério para ver os corpos de mortos por acidentes de carros.
5 – Mulher em “Paranacity” condenada por não pagar corrida de táxi – Sentença: A mulher teve que percorrer 48km a pé, mesma distancia que andou de táxi.
6 – Rapaz roubou caixa de dinheiro destinada a desabrigados – Sentença: passar um dia inteiro ajudando desabrigados
7 – 2 Estudantes perfuraram pneu de ônibus escolar – Sentença: Os 2 tiveram que organizar um piquenique para toda a escola
8 – 2 adolescente escreveram 666 em uma estátua roubada de Jesus – Sentença: Os dois foram obrigados a se vestir de Maria e Jose e andar ao lado de um burro pelas ruas da cidade.

A verdade sobre as sentenças inusitadas do Juiz Sérgio Moro:

Verificação dos Fatos (Fact-checking) – Já no início do texto falso, atribuindo a Sergio Moro sentença de justiça criativa, vemos o primeiro e mais estúpido erro. Se Moro, de acordo com o texto, era promotor, então ele não podia julgar ou sentenciar nada. Promotor faz denúncia em defesa da sociedade, não é juiz, logo não pode julgar.

Sérgio Moro nunca foi promotor:  Moro é graduado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá em 1995, fez mestrado e doutorado na Universidade Federal do Paraná. Especializou-se em crimes financeiros e tornou-se juiz federal em 1996. Moro também é professor de direito processual penal na Universidade Federal do Paraná.

Sobre as sentenças inusitadas falsamente atribuídas a Sérgio Moro – Apesar das sentenças não terem sido formuladas nem por Moro e nem no Brasil, elas são verdadeiras e ocorreram nos EUA. O autor de todas essas sentenças foi  Michael Cicconetti (nascido em 1951), um juiz do Tribunal Municipal em Painesville , Lake County, Ohio. A Wikipédia tem um artigo dedicado as sentenças do Cicconetti, aqui.

Veja algumas das sentenças verdadeiras de Michael Cicconetti:

  • Durante fortes nevascas, ele ordenou aos réus que limpassem a neve em uma casa de repouso .
  • Um homem apanhado com uma arma carregada foi enviado para um necrotério para ver cadáveres.
  • Uma mulher que abandonou 35 gatinhos em uma floresta passou uma noite na floresta.
  • Um homem que atirou em um cão e foi condenado a doar 40 libras de comida de cachorro A cada feriado para o Lake County Animal Shelter.
  • Dois adolescentes que rabiscaram 666 em uma figura de Jesus de natividade tiveram que conduzir um burro pelas ruas, com um cartaz dizendo: “Desculpe pela ofensa do jackass, mas ele é muuuuito fofo! (“Sorry for the jackass offense, but he is soooo cute)
  • Um homem que cometeu uma violação de trânsito ao gritar “porcos” para policiais foi obrigado a ficar em uma esquina com um porco de 350 quilos com um cartaz que dizia: “Este não é um policial”.
  • Uma mulher que foi condenada por roubar de uma igreja foi obrigada a soletrar a frase “eu roubei moedas desta igreja”  e pedir desculpas a cada frequentador que entrava na igreja.
  • Uma mulher que se recusou a pagar uma corrida de táxi foi ordenada a andar 30 milhas, mesmo numero de milhas de sua corrida não paga.
  • A uma mulher que se declarou culpada por usar spray de pimenta em um homem foi dada a opção de servir 30 dias na prisão ou servir três dias de serviço comunitário e ser atingida com spray de pimenta. Depois de concordar com o último, ela foi pulverizada e descobriu que era apenas água.
  • A uma mulher que foi declarada culpada de crueldade animal e negligência por abandonar um cão em uma casa inabitável, foi dada a opção de servir 90 dias na prisão ou pegar lixo por 8 horas no aterro sanitário do condado de Lake . A réu optou por trabalhar no aterro.
  • Uma babá acusada de acertar um garoto com um cinto foi obrigada a ler artigos sobre as conseqüências do abuso infantil, e depois discuti-las na sala do tribunal diante do juiz, da mãe da vítima e dos espectadores.

Mas as sentenças inusitadas nos EUA não é uma exclusividade do Juiz Micahel Cicconetti, de acordo com uma notícia de 2014 do site Conjur , “Com 2,5 milhões de prisioneiros nas penitenciárias americanas, cadeias públicas lotadas e a a convicção, de alguns, de que a prisão torna criminosos amadores em profissionais, juízes americanos estão fazendo o que podem para aplicar penas alternativas. Algumas sentenças são exaltadas pela criatividade do juiz. Outras são criticadas, por serem “criativas demais”.

Em Butler (Pensilvânia), Jennifer Langston, 27, causou um acidente porque dirigia embriagada, que matou Glenn Clark e colocou sua mulher grávida em coma. Ela foi condenada a 30 dias de cadeia e sentenciada a carregar com ela, por cinco anos, onde quer que fosse, a foto de Clark em um caixão de defuntos.

No Texas, uma mulher foi condenada a 30 dias na cadeia por deixar dois cavalos à beira da morte, por falta de comida. Mas, para o juiz Mike Peters isso não seria o suficiente. Determinou, na sentença, que ela deveria passar os três primeiros dias a pão e água, apenas. E que fotos ampliadas dos cavalos à beira da morte deveriam ser penduradas na parede de sua cela, para lembrá-la todos os dias de seu crime.

Concluindo – Um site oportunista se aproveitou da fama do Juiz Sérgio Moro e decidiu atribuir a ele sentenças criativas que ele nunca proferiu. Na verdade estas são sentenças de tribunais americanos preocupados em não superlotar as penitenciarias com crimes de menor potencial ofensivo, se preocupando em dar penas alternativas que encerrem uma lição de moral e façam refletir sobre seus atos.

Participe do Verdade Absoluta e mantenha-se informado sobre as verificações de fatos dos boatos e golpes na internet através do Whataspp (21) 99844-0853 na Página do Facebook ou no Grupo do Facebook.

Comentários Facebook

comments

About Descharth

Avatar for Descharth
André L. Scharth, também conhecido como Descharth, ou Des, é Laboratorista Fotográfico, uma profissão em extinção devido a tecnologia fotográfica atual. Por isso, para poder continuar tomando cervejas virou blogueiro, mas ainda pede fiado no bar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *